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Mini-manual – Terapia Musical

Esse capítulo aborda temas bastantes complexos. Talvez em função de a maioria das pessoas viverem em um estado que eu chamo de “piloto automático”, elas não tenham se dado conta disso.

Diante disso, faço um alerta no que diz respeito a utilização de músicas para a nossa recuperação e bem estar.

“Músicas tranquilas fazem com que eu dirija mais calmo. Músicas agitadas fazem com que eu me torne mais agressivo. Se meu pai conseguiu modular meu cérebro, eu posso tentar modular o cérebro da minha avó. Talvez músicas alegres ou determinadas tipos de músicas possam ajudar na cura ou impedir que a demência se alastre. Tá na hora de iniciar uma pesquisa!”

Com esse intuito o garoto procurou vários métodos que o pudessem levar a criar uma lista de músicas que ajudassem a cura tanto do corpo quanto da mente de sua avó.

Após muita pesquisa, ele pegou o telefone celular e fez uma ligação. Quando Bernardo atendeu, disse:

- Fala rapá!

- Fala cara. Tudo bem?

- Tudo. O que houve?

- Eu tô fazendo uma pesquisa e preciso de tua ajuda. Você é uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço e é a única que entende de música.

- O que foi? Mande!

- Ok. Não sei se te contei, mas minha avó está com demência senil.

- Caramba. Que delicado. Acho que você não tinha comentado nada.

- Então. Vamos falar que hipoteticamente eu queira criar uma lista de músicas que tivessem o poder de acabar com a demência da minha avó. E aí, o que você acha?

Em seguida, Bernardo disse:

- Cara, não sei se já tentaram usar a música para curar a demência, mas é fato que a música já foi e é utilizada no processo de cura de doenças. Você já ouviu falar das frequências de Solfeggio?

- Não. 

- Então. As frequências de Solfeggio seriam uma série de seis tons musicais usados há centenas de anos por alguns monges. A escala original de Solfeggio foi desenvolvida por um monge beneditino chamado Guido d´Arezzo. Primeiramente, as frequências foram usadas para que os cantores pudessem aprender os cantos e as músicas com mais facilidade. 

- Sei...

- A escala original de Solfeggio conteria seis notas ascendentes atribuídas a Ut-Re-Mi-Fa-So-La-Ti. As sílabas dessa escala teriam sido retiradas do famoso hino de São João Batista. Por último, dizem que essas frequências seriam tão fortes que penetrariam na mente, estimulando a cura interior, ou seja, a cura de dentro pra fora.

- Entendi. Você sabe bastante a respeito disso, hein?

- Quem curte música as vezes se depara com todo o tipo de conteúdo. Eu poderia falar a respeito da teoria da padronização oculta que teria levado a redescoberta dessa escala notal, mas acho que isso seria um pouco complicado. Qualquer dia, eu tento explicar melhor pra você.

- Beleza.

- Além disso, você já ouviu falar também dos cantos gregorianos?

- Não. Nunca ouvi falar.

- Existem várias teorias a respeito do surgimento dos cantos gregorianos. Uma das teorias atribui ao papa Gregório I a sua invenção. Teorias a parte, é um fato concreto que esses cantos se tornaram a música oficial do culto cristão desde o século VIII.

Depois de escutar, Arthur refletiu:

- Mas se a gente for um pouquinho mais para trás, podemos dizer que a música foi inventada pelos Deuses e Semideuses gregos.

- Sim. Essa é uma teoria interessante e relevante, mas o que quero dizer com tudo isso é que muitas pessoas também acreditavam que os cânticos gregorianos possuíssem poderes curativos.

- Sério isso?

- Sim. Acontece que estamos no século XXI. Muita gente não leva mais isso a sério.

- Com certeza.

- Depois de falar tudo isso, vou fazer uma observação.

- Qual?

- Eu acho que se estivéssemos uns 15 ou 20 anos no futuro e já tivessem desenvolvido os equipamentos que eu necessito, eu poderia desenvolver e talvez ampliar os conceitos por trás das frequências de Solfeggio e dos cantos gregorianos. Com isso, a gente poderia tentar ajudar melhor a sua avó. Entendeu?

- Entendi sim. É uma teoria interessante. Você pegaria conhecimentos antigos e uniria a tecnologia futura para poder ampliar alguns conceitos. É isso?

- Sim. Eu tentaria unir magia e tecnologia. É mais ou menos isso.

- Entendi. O problema é que minha avó precisa disso pra agora! Eu não posso esperar tantos anos.

- Eu sei. Dessa forma, por enquanto, a única coisa que você pode fazer mesmo é criar uma lista de músicas para ela. Se você conseguir descobrir quais tipos de música a deixam feliz ou descobrir qual música a remeta a algum momento feliz de sua vida, pode ser que a alegria dela possa estimular a produção de certos hormônios benéficos para ela.

- Sim. Foi mais ou menos o que eu pensei em fazer. Valeu cara, vou tentar aqui acabar de criar a lista de músicas para colocar em um mp3. Obrigado.

- De nada cara. Qualquer coisa me liga. Abraços.

Antes de desligar o telefone, Arthur escutou:

- Pera aí. Não desliga!”

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