O capítulo intitulado de “Um outro desejo” conversa com o leitor a respeito de um sentimento chamado de felicidade.
Diante desse tema, disponibilizo a capítulo para vocês:
“Nos dias que se seguiram, o professor Leandro lhes perguntou:
- Qual o significado da palavra felicidade para vocês?
No canto da sala, alguém se pronunciou:
- Passar num concurso público.
No outro lado, ouviu-se uma aluna dizer:
- Comprar um carro!
Depois de escutar os anseios de seus alunos, o professor começou sua fala:
- Antes de falar propriamente sobre o tema, lhes peço que tentem se lembrar sobre as aulas anteriores. Sobretudo a aula a respeito dos desejos e das distrações. Dito isso, vou explicar o que seria o conceito de felicidade.
Para alguns pensadores, felicidade seria um sentimento gerado em razão da mera satisfação dos desejos que uma pessoa possui.
Para tais pensadores, quanto mais intenso e urgente é o desejo, mais gratificante seria o prazer de sua satisfação. Em razão disso, maior seria o grau de felicidade gerado pela realização desse desejo intenso.
Se concordarmos com essa colocação a respeito da felicidade, ou seja, se considerarmos que a felicidade é a mera satisfação de desejos, passamos a enxergar que o propósito da vida não é ser feliz.
Dessa forma, a felicidade seria só mais uma, de várias outras bolas, que seu dono arremessa e o cachorro corre alegremente para alcançá-la.
Nesse momento, vou citar as palavras de Sigmund Schlomo Freud a respeito da questão da satisfação da felicidade:
“A satisfação irrestrita de todas as necessidades parece ser o método mais sedutor de levar a vida, mas, para tanto, o gozo é colocado acimada cautela e logo traz sobre si o próprio castigo”.
Tentando decifrar o pensamento de Freud:
“A satisfação irrestrita de todas as necessidades” (Busca de sentimento contínuo de felicidade)
“gozo é colocado acima da cautela” (prazer é colocado acima da prudência/atenção/consciência)
“e logo traz sobre si o próprio castigo” (e logo traz sobre si uma própria punição)
Tendo dito isso, finalizo a aula com uma pergunta:
- Seria a felicidade o oitavo pecado capital, ou melhor, o oitavo desejo mundano?”
